Domingo, 29 de Dezembro de 2013
Gerês (Xertelo - Castanheiro - Nevosa - Carris - Lamalonga – Laje de Bois)

 

Partida e Chegada – Xertelo

Extensão – 24,6 Km

Duração – 9h 30min

Dificuldade – Muito difícil

Carta Topográfica – 31 e 44

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Descrição

 

Com um ano em que a disponibilidade de tempo para desfrutar desta actividade na natureza foi menor, nada melhor que terminar o ano com uma grande aventura na que considero ser a “Meca” do trekking em Portugal – a Serra do Gerês.

 

Na companhia de Vales Errantes, aproveitando as previsões de melhoria das condições climatéricas aliado à neve que caiu nos dias anteriores, o objectivo foi alcançar o Pico da Nevosa (ponto mais elevado do norte de Portugal) a partir da aldeia de Xertelo, freguesia de Cabril, concelho de Montalegre.

  

Com céu encoberto e ligeiros chuviscos, saímos de Xertelo em direcção a norte por caminhos de montanha até encontrar um estradão que rapidamente nos conduziria até Chã de Suzana. Pelo meio em Castanheiro do Sinal uma aberta nas nuvens deixava antever o que nos esperaria em altitudes mais elevadas.

 

Passando a mariola do Castanheiro, daqui para a frente o caminho desenvolve-se por trilhos de montanha. Ao subir para o Alto das Portas do Castanheiro o chão que trilhamos reveste-se branco embelezando ainda mais a paisagem.

 

Passando pelo Alto das Eiras o caminho inflecte para noroeste ao encontro de uma crista que nos conduz sem dificuldade à entrada dos prados da Ribeira das Negras. Neste troço, a beleza da Serra do Gerês ressalta à vista permitindo fruir de vários olhares sublimes. Destaca-se o maciço do Salto do Lobo, Garganta das Negras e Pico da Nevosa ora visível ora encoberto pelas nuvens.

Mais ao fundo consegue descortinar a Fonte Fria, Cornos de Candela e por entre as nuvens, campos de cultivo de Pitôes das Júnias e Ermida de S. João.

 

Chegados aos prados da Ribeira das Negras avista-se no alto dos seus 1450m o paredão da Lagoa de Carris. Aqui, seguindo a mesma direcção, inicia-se o troço mais complicado que consiste na ascensão até ao sopé do Pico da Nevosa. Seguindo uma linha de água cerca de 900m, vamos dos 1265m até aos 1400m de altitude, para flectir para poente e subir uma encosta com 70m de altura em cerca de 250m de comprimento. Aqui a neve era tanta que até facilitou a progressão dando para fixar as botas na neve progredindo encosta acima com relativa facilidade. Com neve pelas canelas rapidamente as botas deixaram de estar secas.

 

No topo desta encosta, esperando ver a grandiosidade do Pico da Nevosa eis que um vento gélido sopra forte e o nevoeiro é tal que a vista não alcança mais que 100m. Daqui até ao sopé da Nevosa não são mais que 500m e um pensamento me vem à cabeça “Tanto esforço para chegar aqui e não atingir o objectivo na sua plenitude!”. Mas eis que de repente o céu se abre e a sua imponência se irrompe da bruma com um sol radioso como que saudando a nossa chegada. É daquelas coisas… no sítio certo à hora (ver vídeo).

 

Contornando o seu sopé pela esquerda, pausa no marco de fronteira nº 117 e agora sem trocha às costas subir os últimos 40m para atingir com sucesso o objectivo do dia, ficando a faltar apenas os últimos 8m que devido à neve tornava-se perigoso a ascensão. Foto da praxe e toca a descer para seguir em direcção às Minas dos Carris para o merecido almoço.

 

Direcção poente seguindo a linha de fronteira e depois sul para a Lagoa de Carris. Devido à neve as mariolas não eram facilmente reconhecidas valendo as pegadas de um animal, que por sinal também usa os nossos trilhos, para nos guiar até à lagoa.

 

Atravessando o seu paredão entra-se no complexo mineiro e sente-se a áurea e o silêncio desta lugar que outrora já fervilhou de movimento.

 

A pausa para almoço deu-se já tarde e rapidamente nos demos conta que seria de pouca dura. Com os pés molhados e o frio que se fazia sentir, rapidamente tomou conta de nós, aliado ao avançar da hora e às condições climatéricas a quererem piorar outro objectivo se impôs. Chegar ao estradão que liga a Xertelo antes do anoitecer. Restava-nos assim duas horas garantidas de luz.

 

Botas a caminho em direcção às lavarias do complexo mineiro para iniciar a descida até Lamalonga. A descida inicialmente em escadaria rapidamente se transforma num amontoado de pedras, fruto da ruína causado pela erosão do terreno, que torna a descida demasiado perigosa devido às condições de neve e humidade, havendo necessidade de alguma destreza de movimentos para ultrapassar esta zona.

 

Finalizada a descida e chegados a Lamalonga a progressão melhora consideravelmente e rapidamente se atinge a subida para Sesta de Lamalonga. Daqui é curtir a descida espectacular pela cumeada com a mira na Lajes dos Infernos até Laje de Bois. Resta apenas a descida da encosta e atravessar o Ribeiro do Penedo junto ao Espigão da Lama de Pau. Ligeira subida e chegada ao estradão com o “lusco-fusco”, mais um objectivo cumprido.

 

O regresso a Xertelo, à luz de frontais, é feito pelo estradão já percorrido no início da jornada. Em estradão poderá pensar-se que sem luz natural a probabilidade de existir um engano no caminho é mínima, enganem-se!!! Em qualquer encruzilhada surge sempre a dúvida de qual a direcção a tomar.

  

Conclusão

Percurso de extrema beleza paisagística na sempre imponente e bela Serra do Gerês, que cobra essa beleza com a exigência física necessária para ultrapassar os seus trilhos e atingir os seus píncaros nas condições de neve.

Apesar do relativo conhecimento da zona, as condições climatéricas adversas, o estado do terreno ora alagado ora coberto de neve, escondem armadilhas que podem colocar em causa a segurança de quem por aqui se aventure. Há que ponderar sempre muito bem a opção a tomar principalmente na altura do ano em que os dias são mais curtos.

 

Olhares Positivos

- riqueza paisagística.

 

Olhares Negativos (menos positivos)

- depósito de lixo nos Carris, certamente trazido por caminhantes sem educação que não respeitam a natureza.

 

Observações

- isolamento total do mundo urbano podendo encontrar-se a horas da aldeia mais próxima em caso de emergência;

- se realizado no inverno com condições de frio e neve é duro, a mesma dureza também está presente em meses estivais devido às altas temperaturas;

- indispensável o uso de aparelhos GPS.



publicado por olharessublimes às 23:59
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