Sexta-feira, 15 de Março de 2013
Maciço da Freita (Gestoso - Gestozinho - Ramalhoso - Vidoeiro)


Partida e Chegada – Gestoso

Extensão – 11,5 Km

Duração – 4h

Dificuldade – Moderada

Carta Topográfica – 155

Ficheiro GPX  olhar aqui




Para plataformas móveis olhar fotos aqui.

 

 

Descrição

 

Nem só de PR’s vive a Serra da Freita… com este mote parti à descoberta.

Observando uma edição antiga da carta topográfica nº 155, reparei na existência de vários caminhos na zona do maciço central da Serra da Freita que numa edição mais recente, da mesma carta, já não vêm marcados.

Estes caminhos certamente foram construídos e usados por gentes serranas antigas para mais facilmente se movimentarem pela serra e comunicarem entre as várias aldeias.

A zona em questão localiza-se no eixo Cabeço do Serlei - Vidoeiro – Chãs, possivelmente por estar mais isolada pela sua interioridade não é tão conhecida e percorrida pelos amantes da natureza e do trekking puro.

Na companhia de ValesErrantes fomos olhar o estado destes caminhos, a existência ou não dos mesmos e como sempre, à procura de outros olhares sublimes.

 

Iniciou-se o percurso em Gestoso, seguindo sem qualquer tipo de dificuldade em direcção a Gestozinho e daí ao Ribeiro de Abundância por caminhos comuns à Rota de Manhouce, já descrita aqui neste blog (olhar aqui).

Atravessado o ribeiro por um pontão em pedra, uns metros a jusante deste entra-se num caminho lajeado que sobe o vale.

Este caminho acaba por desaparecer e o objectivo é chegar à cumeada que se avista em frente, na nascente do ribeiro. Até lá não existe caminho definido, por isso é preciso serpentear alguns arbustos e alguma vegetação que não colocam grande dificuldade.

E não é que encontramos a nascente!!! (veja o vídeo aqui).

Na cumeada segue-se pela esquerda até encontrar um caminho que sobe a elevação. O caminho contorna-a inicialmente para depois subir perpendicularmente às cotas de nível até topo.

Durante a subida aproveite para parar e observar uma das vistas mais espectaculares, que já vi até hoje, na zona da Freita. Claramente o olhar sublime do dia!!!

Acabando a subida encontra um prado e deverá seguir em direcção a poente passando por entre duas elevações.

Entretanto deverá encontrar um caminho bem marcado, em alguns locais lajeado, e estará num planalto na zona marcada na carta topográfica com o nome de Ramalhoso.

Continuando pelo mesmo caminho, este inflecte para norte e entra noutro vale que segue na direcção do Vidoeiro. Antes de chegar ao topo do vale, abandona-se o caminho para subir a encosta à esquerda até ao marco geodésico do Vidoeiro, com 1097m de altitude.

Esta ainda é uma das poucas zonas do planalto da Freita onde se encontra uma grande mancha florestal de pinheiro.

Meia volta e… uma manada de bovinos de raça arouquesa a pastar, afinal este é o seu espaço de criação e é comum cruzarmo-nos com elas.

Segue-se em direcção a Noroeste, com a antiga casa florestal do Vidoeiro à vista, até à linha de água. Após a passagem da linha de água toma-se o caminho que segue para poente e nos levará até uma encruzilhada. Esta encruzilhada é ponto de passagem do PR15 - Viagem à Pré-História (olhar aqui).

Daqui até Gestoso é sempre em direcção a Sul. A carta topográfica indica a existência de um caminho que segue directamente para Gestoso mas no local este é de difícil reconhecimento. Tomando como ponto de orientação a portela que se avista a sul é seguir até ela por entre a vegetação rasteira de urze.

Chegando a esta portela, entra-se no vale e é sempre a descer até Gestoso. No início do vale também não se vislumbra o caminho mas aqui a progressão não tem qualquer dificuldade.

Viemos a encontrar o caminho, ou o que resta dele, uns metros à frente já que a sua identificação passa despercebida no meio do terreno rochoso.

A chegada a Gestoso faz-se pelo local onde se encontram as suas casas primitivas, um contraste para quem conhece a aldeia apenas vista da estrada principal.

 

Conclusão

Confesso que de todos os percursos já percorridos na Serra da Freita este foi sem dúvida o que mais me agradou, muito provavelmente pelo facto de na maior parte do mesmo se sentir que estamos na verdadeira montanha, na serra agreste e isolada.

Quanto aos caminhos, marcados numa carta e esquecidos nas recentes, não é mais do que o resultado do seu desuso, o fim do uso que levou à sua construção.

Mais visíveis ou menos visíveis eles estão lá, e cabe ao espírito montanhista não os deixar perder no meio da serra.    

 

Olhares Positivos

- quotidiano das aldeias;

- riqueza arbórea;

- riqueza paisagística.

 

Olhares Negativos (menos positivos)

- nesta zona, sempre os geradores eólicos.

 

Observações

- neste tipo de trilhos em plena montanha há que ter sempre cuidados redobrados pois só podemos contar connosco;

- é imprescindível estar munido no mínimo de conhecimentos básicos de orientação e equipamento para o tal;

- a diferença para com os PR´s, aparte a distância, é que o isolamento por vezes é total.



publicado por olharessublimes às 23:59
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