Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016
Gerês (Pitões das Júnias - Fonte Fria - A Ourela dos Rubios - Pico da Nevosa - Carris - Portela do Homem)

 

Partida – Pitões das Júnias

Chegada – Portela do Homem

Extensão – 26,0 Km

Duração – 6h 30min (em andamento)

Dificuldade – Difícil

Carta Topográfica – 18 e 31

Ficheiro GPX – olhar aqui

 

 

Descrição

 

Travessia do Gerês pelo seu extremo norte, começando em Pitões das Júnias passando pelo sopé da Fonte Fria, Ourela dos Rúbios, Pico da Nevosa, minas dos Carris e terminando na Portela do Homem.

 

O dia apresentava-se promissor mesmo antes de chegar a Pitões, toda a silhueta dos cumes que iriamos percorrer rompiam o horizonte iluminados pelo nascer do sol.

 

Saindo de Pitões das Júnias pelo norte entra-se num estradão e a direção a tomar é da Fonte Fria por caminhos lajeados e de pé posto. A abordagem à Fonte Fria faz-se contornando a Fraga de Brasalite pela vertente sul.

 

A partir da Fonte Fria o percurso é muito pouco utilizado pelo que muitas vezes o mesmo não está perfeitamente visível mas devido à altitude o mato pouco cresce e a progressão não é colocada em causa. A orientação faz-se facilmente seguindo os marcos de fronteira até ao Pico da Nevosa.

 

Nesta fase serão cerca de 6km sem dificuldades onde o trilho anda a rondar a cota dos 1300m até à Ourela dos Rúbios.

 

Neste local faz-se a ascensão para cotas de 1400m numa curta distância através de duas passagens estreitas que nos permitem vencer 70m de altitude em menos de 300m no caso da primeira e 40m em 100m na segunda.

O Pico da Nevosa fica a pouco mais de 2km e a uma subida de cerca de 100m.

 

A esta altitude na zona mais alta da serra do Gerês o campo visual é alargado sendo possível alcançar inúmeros pontos de referência desta serra e de outras do norte de Portugal, inclusive a aldeia de Pitões das Júnias.

 

Da Nevosa aos Carris é o percurso habitual passando pela lagoa com um nível de água muito pouco habitual.

 

O plano inicial previa fazer a travessia em dois dias com a primeira etapa a terminar nos prados da Messe.

O ritmo vivo empregado até aqui somado ao peso da mochila a rondar os 12kg vinha à muito a fazer mossa. O calor que se fez sentir e uma hidratação descuidada fez-me pagar um preço elevado.

Nos Carris, a indisposição ligeira que vinha sentindo ao longo do dia intensifica-se e um cansaço anormal apodera-se de mim sem aviso. Às primeiras tonturas dou-me conta que estou desidratado, tendo reverter a situação mas pressinto que já não vou conseguir.

 

Prossigo o andamento com mais calma para nas Abrótegas reavaliar a situação.

Aqui chegado nada de melhorias e os 3l de água que trazia revelaram-se insuficientes para fazer face à transpiração. Depois de um verão extremamente quente todos os pontos de água em altitude encontravam-se secos e mesmo o rio homem nas Abrótegas pouco ou nada corria. Com pouca água e no estado em que me encontrava a opção mais sensata seria prosseguir a travessia pelo estradão dos Carris até à Portela do Homem, desistindo do plano inicial.

 

O estradão até à Portela do Homem por maior número de vezes que seja percorrido existe sempre algo nunca fruído anteriormente. Destaco desta vez o silêncio total do vale, a falta de água tinha calado por completo o rio Homem e a cascata junto ao Madorno tinha desaparecido. O olhar sublime do dia passa a momento sublime do dia… Indiscritível este silêncio no meio daquela imensidão.

 

Continuando o caminho até à Portela do Homem confirmava-se a falta de água junto à Água de Pala e a fonte da Abelheira nem uma pinga na bica.

 

Conclusão

Por mais que nos sintamos capazes de realizar uma travessia deste tipo há que ter sempre presente que algo pode fugir do nosso controlo. Ter um plano B já delineado pode fazer a diferença entre ter o dia ganho ou perdido. Apesar do contratempo este foi claramente um dia ganho.

 

 Olhares Positivos

- riqueza paisagística;

- companhia de Vales Errantes.

 

Olhares Negativos (menos positivos)

- depósito de lixo nos Carris, certamente trazido por caminhantes sem educação que não respeitam a natureza.

 

Observações

- se realizado no verão é necessário ter muito cuidado devido à exposição solar e falta de pontos de água corrente;

- grande parte do percurso desenvolve-se acima dos 1200m pelo que as condições meteorológicas podem ser agrestes e a sua mudança pode ocorrer de forma repentina;

- desaconselhável a sua realização sob condições de mau tempo;

- isolamento total do mundo urbano podendo encontrar-se a horas da aldeia mais próxima em caso de emergência;

- indispensável o uso de aparelho GPS.

 

Fotos

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  ainda antes de chegar a Pitões das Júnias

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  alguns dos locais por onde iriamos passar

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  saindo de Pitões das Júnias

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  Fraga de Brazalite

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  vale entre Fraga de Brazalite e Fonte Fria

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  Fonte Fria à direita

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  capela de S.João ao centro

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  Fonte Fria

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  Pico da Nevosa à esquerda

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  Pedra Laço

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  Pico da Nevosa ao fundo e A Ourela dos Rubios à esquerda

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  Penedo Anamão ao fundo

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  Fraga do Paúl ao centro

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  A Ourela dos Rubios com indicação dos locais de pasagem

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   A Ourela dos Rubios (primeira subida)

DSC09532 - Pan Ourela Rúbios Nascente.jpg

   vista para nascente desde o topo de A Ourela dos Rubios

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  Pico da Nevosa

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  Pico da Nevosa

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  lagoa de Carris vista desde o Pico da Nevosa

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  vista nacente desde o Pico da Nevosa com Pitões ao centro direita 

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  vista poente desde o Pico da Nevosa com Louriça e Altar de Cabrós à esquerda 

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  curral das Negras desde o paredão da lagoa de Carris

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  minas dos Carris 

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  minas dos Carris 

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  vale do alto Homem na zona do Teixo

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  cascata seca junto ao Madorno

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  vale do alto Homem desde o sopé do Madorno

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  muita água costuma passar por esta pedra

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  imagem de marca do rio Homem

  



publicado por olharessublimes às 22:29
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