Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014
Gerês (Trilho dos Prados) - versão Invernal

 

Partida e Chegada – Portela do Leonte

Extensão – 14,0 Km

Duração – 9h 00min (*)

Dificuldade – Muito difícil (*)

Carta Topográfica – 30 e 31

Ficheiro GPX – olhar aqui

 

 

 

 Para plataformas móveis olhar fotos aqui

 

 

Vídeo da subida para Chã da Presa (by Vales Errantes)

  

 

  

Descrição

 

Depois de uns dias de queda de neve abundante nos píncaros da Serra do Gerês, nada melhor que iniciar o ano com o trilho dos Prados em modo invernal.

 

Com início na Portela do Leonte junto à casa florestal, os 3ºC de temperatura e a luz solar a romper por entre as nuvens era pronuncio de um dia em grande em termos de olhares.

 

O azimute a tomar foi para nascente subindo por uma caminho lajeado que nos conduziria até ao prado do Vidoal. Ainda antes dos 1000m de altitude a neve já marcava presença o que era motivo para registar os primeiros olhares... do outro lado do vale o imponente Pé de Cabril pintado de branco.

 

Rapidamente se atinge o prado do Vidoal com o seu abrigo e a inconfundível mariola posicionada estrategicamente no centro do prado.

 

A partir daqui iríamos percorrer trilhos de montanha até aos três últimos quilómetros do percurso.

 

Próximo objectivo o local designado por Freza, aqui tem-se uma vista fantástica sobre o vale da Teixeira onde se destaca o curral do Camalhão e da Teixeira. Entretanto a espessura da neve ia aumentando consideravelmente sem por em causa para já a progressão e as árvores iam-se cobrindo de branco como se o Natal estivesse ainda para vir.

 

Estávamos a cerca de 1200m de altitude, havia agora que contornar uma elevação para chegar a Chã da Fonte e daí ao inicio da Lomba do Pau. São cerca de 150m de desnível em aproximadamente 1km. Ainda no início da subida deu para perceber que a tarefa não seria fácil, o trilho e as mariolas completamente escondidos pela neve, que em alguns locais apresentava mais de 1m de espessura. Uma pequena pausa em Chã da Fonte deu também para perceber que a navegação uns poucos de metros acima não seria fácil devido ao nevoeiro cerrado que se ia instalando. Desde Freza até à entrada da Lomba de Pau (cerca de 1km) foi preciso hora e meia de caminhada.

 

Chegando ao inicio da Lomba de Pau pensávamos que o mais difícil já tinha sido superado. Puro engano! O nevoeiro era tal que o olhar não alcançava mais que 50m, tudo era branco, não dava para reconhecer formas, mariolas, trilho, nada. O recurso ao GPS era constante e uma zona relativamente plana com cerca de 1km levou mais uma hora e meia a ser ultrapassada. A neve era tanta, aliado ao facto da mesma ser muito pouco ou nada consistente, que facilmente nos enterrávamos até à cintura. Houve troços neste local em que a progressão foi feita de gatas, pois era mais o esforço de nos desenterramos do que dar apenas um simples paço em frente.

 

Finalmente e com muito custo chegamos ao topo da descida que dá acesso ao abrigo do Conho, que devido ao adiantar da hora seria o local do merecido almoço. Antes de iniciar a descida, uma pequena aberta permitiu olhar para trás e ver toda a Lomba de Pau. Olhando em frente uns raios de Sol iluminavam as imponentes Sombrosas e as Fichinhas.

 

Com mais um pouco de esforço, é que descer com aquela quantidade de neve naquelas condições revelou-se não ser tarefa fácil, rapidamente se chegava ao abrigo do curral do Conho.

 

Retemperadas as forças havia que colocar novamente as botas em marcha em direcção aos Prados da Messe. À semelhança da última aventura, também no Gerês, devido ao adiantar da hora, impunha-se chegar à estrada da Mata de Albergaria antes de anoitecer. Com cerca de 2/3 do percurso por realizar a apreensão instalava-se.

 

Um ligeiro engano à saída do Conho que rapidamente foi corrigido, deu-se conta que a progressão tornava-se mais fácil devido à menor acumulação de neve fruto da diminuição da altitude. Curral da Pedra, e em menos de uma hora estávamos na Messe.

 

Paragem rápida e toca a subir a última elevação do percurso, 100m de desnível em cerca de 200m, para chegar ao Lombo do Burro. Durante a subida deu para registar o olhar sublime do dia, a vista sobre um dos prados mais bonitos do Gerês, Prados da Messe em modo invernal. São estes olhares que fazem valer a pena todo o esforço despendido até então.

 

Do topo da elevação resta a descida progressiva pela cumeada até à Costa da Sabrosa, pelo meio ainda foi possível avistar os Prados Caveiros.

 

Chegados ao início da Costa da Sabrosa a descida torna-se vertiginosa mas de fácil progressão que rapidamente nos faz chegar à estrada da Mata de Albergaria.

 

Com a última luz do dia iniciamos o troço final, pela estrada de alcatrão, até à Portela do Leonte onde a chegada ocorreu já à luz de frontal.

 

Conclusão

Um dos trilhos mais concorridos do Gerês, percorrido e olhado em condições que poucos têm o prazer de o realizar.

Fica a promessa do regresso para um olhar em modo estival. 

 

Olhares Positivos

- paisagens invernais;

- companhia de Vales Errantes.

 

Olhares Negativos (menos positivos)

- algum lixo deixado nos abrigos do Conho e da Messe.

 

Observações

- isolamento total do mundo urbano podendo encontrar-se a horas da aldeia mais próxima em caso de emergência;

- se realizado no inverno em condições de frio e neve poderá tornar-se extremamente duro, mesmo considerando a pouca distância do percurso;

- indispensável o uso de aparelhos GPS.

 

(*) tempo de realização do percurso, com paragens, em condições de muita neve. Em condições de fácil progressão é possível realizá-lo em metade do tempo onde o grau de dificuldade se pode considerar moderado.



publicado por olharessublimes às 23:59
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2 comentários:
De joaquim Teixeira a 25 de Janeiro de 2014 às 12:27
Parabens pelo trilho e pelas fotos, simplesmente lindas.


De olharessublimes a 27 de Janeiro de 2014 às 14:52
Obrigado.


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