Sábado, 26 de Maio de 2012
Linha do Tua: Fiolhal - Brunheda

 

Partida – Fiolhal

Chegada – Brunheda

Extensão – 20Km + 2km (opcionais)

Duração – 6h

DificuldadeModerado

Carta Topográfica – 103, 104 e 116

Ficheiro GPX – olhar aqui

 

 

 

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Descrição

 

Objectivo, percorrer o troço da linha do Tua que irá ficar submerso pela construção da barragem.

Devido ao corte da linha entre os quilómetros 2 e 3 o início do percurso junto à foz do Tua, poderá iniciar-se em dois locais. Na estação do Tua subindo depois a pé pela estrada até ao Fiolhal, ou no Fiolhal evitando assim uma subida acentuada de pouco mais de 4km e cerca de 200m de desnível.

Com o objectivo de percorrer o troço da linha que irá ficar submerso, quase 28km até Abreiro, optou-se por iniciar o percurso no Fiolhal pois havia a condicionante de ter de apanhar o serviço rodoviário da CP - táxi (alternativa ao encerramento da circulação ferroviária na linha do Tua), às 17h na estação de Abreiro que nos traria de volta até à aldeia de Fiolhal.

Com início no Fiolhal aldeia que se estende na cumeeira de uma encosta, uma varanda privilegiada para a foz do Tua, rio Douro e suas encostas de vinhas, estamos na presença do verdadeiro Douro Vinhateiro Património da Humanidade.

O percurso atravessa a aldeia, com casas de um granito amarelo, pelas suas ruas empedradas, passa pela igreja e entra num caminho agrícola que desce a encosta atravessando vinhedos e olivais dispostos em socalcos até o levar exactamente ao km 3 da linha do Tua. Durante a descida é possível ver e ouvir o desenrolar dos trabalhos de construção da barragem.

A partir daqui é só seguir a linha, estação atrás de estação, túnel atrás de túnel, um viaduto e uma ponte. Por ordem, estação de Tralhariz, túnel de Tralhariz, túnel das Fragas Más I, viaduto das Fragas Más, túnel das Fragas Más II, estação de Castanheiro, túnel da Falcoeira, ponte de Paradela, estações de Santa Luzia e S. Lourenço, apeadeiro de Tralhão e por último estação de Brunheda.

Sim! Por último Brunheda e não Amieiro porque com o “desenrolar da carruagem” deu-se conta que fazer 28km em linha férrea não é o mesmo do que em caminho plano, e a chegada a Abreiro a tempo de apanhar o serviço de táxi da CP ficava fora de questão. A 28 tira-se 8 e fica-se na estação da Brunheda com 20km de percurso, pois é o primeiro local junto à linha, desde foz Tua, servido pelo serviço rodoviário da CP.

São 20km de pura fruição de toda a envolvente à linha, quase tudo é motivo de paragem para registo fotográfico. Os carris, as travessas, as estações e apeadeiros, o rio Tua, as encostas escarpadas de granito fracturado onde árvores como sobreiros e pinheiros se agarram à vida, a vegetação na beira da linha que por esta altura mostra todo o seu esplendor de cor causado pelas suas flores, o interior dos túneis em que a escuridão deixa ouvir o som dos morcegos. É um percurso que não vale a pena ser realizado em velocidade de cruzeiro e com isso deixar de apreciar todos os olhares sublimes que se podem descobrir neste percurso.

A meio do percurso surge do outro lado do rio a aldeia de Amieiro perdida na encosta, parecendo um presépio, dominada pela torre da igreja.

Antes da estação de Santa Luzia existe a primeira e única passagem de nível do percurso, daquilo que já foi um caminho de ligação entre margens e que já não o é. A ponte que aí existia sucumbiu, em dezembro de 2002, ao caudal mais elevado do rio. Ao lado do que resta das ancoragens da dita ponte deslumbra-se dois cabos de aço daquilo que parece ser um pseudo teleférico certamente “by habitantes de Amieiro” que permite o atravessamento do rio e possibilita a deslocação aos terrenos do outro lado do rio, já que por estrada distam mais de 80km.

Pouco mais à frente encontra-se a estação de S. Lourenço que se destaca de todas as outras devido à sua arquitectura exterior. Talvez fosse um meio de chamar a atenção da existência de uma fonte de água termal na povoação de Caldas de S. Lourenço existente aí perto.

A partir daqui o vale começa a abrir, passa-se pelo apeadeiro de Tralhão que com o seu coberto em estrutura de madeira faz lembrar as estações do “faroeste” e após uma última curva à direita avista-se lá no alto o viaduto do IC5 e mais à frente a estação de Brunheda.

Chegando à estação da Brunheda, como ainda havia tempo, optou-se por apanhar o táxi da CP na aldeia de Brunheda. É só subir pela estrada cerca de 2km e vencer um desnível de aproximadamente 150m. No largo da aldeia existe um fontanário com água fresca.

  

Olhares Positivos

- riqueza paisagística;

- ambiente das infra-estruturas ferroviárias abandonadas;

- companhia de ValesErrantes e Trilhos e Azimutes.

 

Olhares Negativos (menos positivos)

- espuma na água do rio o que revela alguma poluição;

- desconforto em caminhar sobre as travessas de caminho de ferro.

 

Observações

- leve água consigo pois durante o percurso não existem pontos de água;

- leve protecção e protector solar nos dias de maior calor, no fundo do vale a temperatura é elevada;

- se optar por ir de carro até ao Fiolhal e aí iniciar o percurso, para regressar caso opte pelo serviço de táxi da CP não se esqueça de pedir ao motorista para passar e parar no corte para Fiolhal, caso contrário sairá na estação do Tua e terá de fazer a pé a subida acentuada até ao Fiolhal. (SERVIÇO RODOVIÁRIO ENCERRADO EM 01/07/2012) (RETOMADO A 09/07/2012 - HORÁRIOS);

- não deixe de visitar a estação ferroviária do Tua e observar as automotoras, locomotivas a vapor e respectivas carruagens aí existentes que eram usadas na linha do Tua e que infelizmente se encontram a degradar expostas às condições climatéricas. É uma pena que a CP não acautele a preservação do património histórico dos Caminhos de Ferro Portugueses.



publicado por olharessublimes às 21:22
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