Sábado, 16 de Junho de 2012
Rota dos Túneis: La Fregeneda – Barca d’Alva

 

Partida – La Fregeneda (Espanha)

Chegada – Barca d’Alva

Extensão – 19,5Km

Duração – 7h (com paragens)

DificuldadeModerado (mas muito perigoso)

Carta Topográfica – 142 e 152

Ficheiro GPX – olhar aqui

 

 

 

 

Para plataformas móveis olhar fotos aqui.

 

 

Descrição

 

Objectivo, percorrer o troço ferroviário raiano, há muito desactivado, da linha que ligava a linha do Douro a Salamanca (Espanha), nomeadamente entre La Fregeneda (Espanha) e Barca d’Alva – Rota dos Túneis.

Construída com o objectivo de ligar a linha do Douro à rede ferroviária espanhola e ao resto da Europa, esta linha é a única construída em território estrangeiro com capitais portugueses, particularmente portuenses.

A Linha Internacional Barca d’Alva a La Fregeneda e Salamanca inaugurada em 9 de Dezembro 1887, no mesmo dia do último troço da Linha do Douro Pocinho – Barca d’Alva, é uma espectacular e notável obra de engenharia ferroviária particularmente o troço Barca d’Alva – La Fregeneda, antes de entrar nas planícies de Leão. Este troço com características alpinas, vence um desnível de 300m em 17km de extensão no qual foram abertos em rocha 20 túneis e construídas 13 pontes metálicas.

Encerrada em 1 de Janeiro de 1985 pelo governo espanhol, esta obra de arte ferroviária permanece esquecida até aos nossos dias.

O percurso inicia-se na estrada principal cerca de 2,2km após passar a localidade de La Fregeneda, em direcção ao interior de Espanha. Segue um caminho de terra batida que surge à esquerda e 1,5km à frente encontra a estação de La Fregeneda.

Como estação fronteiriça do lado espanhol o complexo apresenta vários edifícios em que se destacam o edifício central da estação e o edifício alfandegário cujos sinais de vandalismo e degradação fruto do abandono são por demais evidentes.

Cerca de 300m após deixar para trás a estação em direcção a Portugal, entra-se no Túnel de La Carretera (T1) com 1594m de comprimento e uma profundidade máxima de cerca de 50m. Sendo perfeitamente rectilíneo é possível constatar perfeitamente o significado da luz ao fundo do túnel.

Saindo deste a vegetação vai tomando conta daquilo que já foi seu, a linha torna-se quase imperceptível não fosse o trilho marcado pelos aventureiros que ousam realizar este percurso. Logo de seguida encontra as ruínas de uma casa e a Ponte del Pingallo (P1), com 30m não apresenta qualquer dificuldade.

A linha segue altiva paralela ao vale do rio Morgáez que lá no fundo parece completamente seco nesta altura do ano. Passa pelo Túnel de Las Majadas (T2) com 33m e chega ao Túnel de Morgado (T3).

Este túnel desenvolve-se em curva por 423m e por este motivo no seu interior a escuridão é completa. Na entrada o cheiro que se sente deixa antever que algo se passa no seu interior. Parecido?!… Assim de repente lembro-me do odor característico dos pombais.

Embrenhando-se no seu interior verifica-se que é o sítio ideal para se ter instalado aí uma colónia de morcegos. Ouve-se o som característico destes animais e de repente sente que está a caminhar sobre algodão, com um olhar mais atento repara que são excrementos de morcegos que chegam a cobrir por completo os carris, e olhando para o tecto consegue ver a colónia de morcegos em forma de tê.

À saída do túnel depara-se mais uma vez com uma floresta densa desta vês de figueiras, pena os figos não estarem maduros.

Saindo da sombra da vegetação o vale que encontra do lado esquerdo já não é do Morgáez mas sim do Rio Águeda. O Morgáez desagua no Águeda poucas centenas de metros a montante da saída do Túnel de Morgado.

O Águeda apresenta-se assim como rio fronteiriço acompanhando desta forma a linha até a Barca d’Alva. Portugal é logo ali na outra margem.

Sem dar por isso está na ponte com o mesmo nome do túnel em curva, a Ponte de Morgado (P2) com 104m de comprimento e 28m de altura. É já um aperitivo para o que encontrará a seguir. A paisagem é simplesmente sublime.

Segue-se o Túnel de Pollo Rubio (T4) com 84m que desemboca na ponte com o mesmo nome, Ponte de Pollo Rubio (P3) com 112m e 24m de altura. Entrando na ponte pelo lado esquerdo, na escarpa poderá observar um ninho de grifo. Atravessada a ponte, olhe para trás e veja a espectacular imagem formada pelo morro, túnel e ponte.

Continuando o caminho irá avistar no cimo dos montes, do lado direito da linha, uma estrutura que se parece com uma torre/farol, depois de procurar um pouco na internet, ao que tudo indica tratar-se-á de um depósito de água que servia/serve a população de La Fregeneda.

Túnel de La Beleza (T5), com 76m, não sei o porquê deste nome já que o túnel não aparenta nada de especial. Agora, por coincidência certamente, foi possível observar o espectacular voo das aves de rapina mesmo antes de o atravessar.

Imediatamente de seguida o Túnel del Pollo Valiente (T6) com 357m. Entrando nele, quando começar a ver a luz não pense que é a saída do túnel mas sim uma escapatória que lhe permitirá ter outro olhar sobre o rio Águeda e a Ponte del Pollo Rubio.

De volta à linha, quando sair do túnel irá encontrar a ponte mais peculiar do percurso. A Ponte del Pollo Valiente com 135m (3x45m) e 24m de altura desenvolve-se em curva por três tramos. Esta ponte mostra sinais de um incêndio pelo que no encontro norte as traves já não existem. A maneira mais segura de a atravessar é pelo lado da encosta já que a separação entre tramos é menor. 

Sai da ponte e entra directamente no Túnel del Pico (T7) com 47m, segue-se o Túnel de Segaverde (T8) com 87m e entretanto irá encontrar os restos do que já foi uma imponente árvore.

Continuando, aparece o Túnel de Martim Gago (T9) e Túnel de La Cortina (T10) com 61m e 78m respectivamente.

Segue-se o Pontão de Cegaviño (P5) com meia dúzia de metros que dá passagem à água dos dias mais chuvosos, vá reparando na vegetação principalmente nos cactos. O Túnel de Cegaviño (T11) com 94m, que não apresenta qualquer tipo de acabamento tanto interior como nas aberturas, foi simplesmente escavado na rocha e trabalho completo.

Túnel de Los Llanos (T12) com 149m e chega à ponte mais imponente do percurso, a Ponte Arroyo Del Lugar (P6), 139m de comprimento e 60m de altura, com dois pilares centrais metálicos e o encontro norte em pedra formando cinco arcos. 

Segue-se um trio de túneis, do 13 ao 15, Túnel Arroyo Del Lugar (136m), Túnel de La Barca (134m) e Túnel de Los Pollos (37m) antes deste último passará pela única passagem de nível do percurso, o sinal com indicação de “Atencion al Tren” ainda resiste.

Mais uma ponte de cortar a respiração, a Ponte de Los Pollos (P7) com 135m e 50m de altura e depois dois pontões de nome del Zambullo I e II.

De seguida Túnel de La Porrera (T16) com 329m e será porreiro que tenha a luz de uma lanterna pois vai precisar.

Uma ponte mais suave, com 71m e 19m de altura, a Ponte de Los Riscos (P8) seguida do Túnel de Los Riscos (T17) com 201m e Túnel Gazaro (T18) com 46m.

Até à próxima ponte repare no rio Águeda que entretanto alargou o seu leito, sinal de que o Rio Douro está próximo bem como o fim da jornada em Barca d’Alva, e na outra margem as vinhas e Quinta da Fronteira.

Chegará entretanto à última ponte em terras espanholas, a Ponte de Las Almas (P9) com 132m e perto de 50m de altura. No horizonte já se avista as pontes internacionais.

Até lá chegar ainda há que atravessar o Túnel de Las Almas (T19) e por último o Túnel Muelle (T20) com 72m e 239m respectivamente, este último em curva logo há que recorrer novamente à lanterna.

Quando avistar novamente a luz do sol irá deparar-se com a Ponte Internacional de Barca d’Alva (P20) com 185m, não apresenta qualquer tipo de dificuldade já que o tabuleiro da ponte encontra-se revestido com chapas de aço.

À direita o Rio Douro e chega a terras Portuguesas.

Antes do término desta aventura vertiginosa, há que desfrutar das infraestruturas ferroviárias que formavam a estação de Barca d’Alva.

Se a estação de Fregeneda é dominada pela imponência do seu edifício central a estação de Barca d’Alva dá-lhe 10 a 0. O edifício principal é maior e está seguramente em melhor estado de conservação estando também e infelizmente completamente ao abandono. Salta ao olhar o reservatório de água, as cocheiras (garagens das locomotivas) com placa de rotação, o edifício de mercadorias, a “torneira gigante” para abastecimento de água às locomotivas, o cais de embarque e o edifício dos sanitários, um autêntico museu ao ar livre deixado infelizmente a definhar.    

 

Olhares Positivos

- riqueza paisagística e de obras de arte de engenharia ferroviária;

- ambiente das infra-estruturas ferroviárias abandonadas;

- enorme potencial do troço para ser convertido numa linha turística;

- novamente a companhia de ValesErrantes e Trilhos e Azimutes.

 

Olhares Negativos (menos positivos)

- perigosidade no atravessamento das pontes;

- desconforto em caminhar sobre as travessas de caminho de ferro.

 

Observações

- leve água consigo pois durante o percurso não existe um único ponto de água;

- leve protecção e protector solar nos dias de maior calor, nos meses de verão as temperaturas nesta região são muito elevadas;

- se houver vento ou chuva a perigosidade na travessia das pontes aumenta consideravelmente;

- não aconselhável a pessoas com vertigens.



publicado por olharessublimes às 14:08
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