Sexta-feira, 27 de Junho de 2014
Estrela (Loriga - Torre - Penha dos Abutres - Loriga)

 

Partida e Chegada – Praia Fluvial de Loriga

Extensão – 19,2 Km

Duração – 8h 00min

Dificuldade – Difícil

Carta Topográfica – 223

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Descrição

 

A estreia de Olhares Sublimes na Serra da Estrela para percorrer talvez um dos trilhos mais peculiares desta serra: a subida à Torre pela “garganta de Loriga”.

 

Com início na praia fluvial de Loriga, seguimos por um caminho lajeado que segue pela encosta norte do vale da ribeira da Nave. Ainda não havia sido percorrido os primeiros 500m, irrompe das leiras do fundo do vale, os gritos de um homem que dizia que não se podia passar por este caminho já que o mesmo se encontrava fechado. Decidimos continuar e o raio do homem gritava cada vez mais… poucos metros à frente uma cancela. Achamos estranho uma vez o caminho está sinalizado nas cartas militares e no GoogleMaps. Resolvemos prosseguir e assim que o homem se apercebeu do sucedido começou a gritar como se não houvesse amanhã tentando demover a nossa investida, deixando mesmo o que estava a fazer para se colocar num local onde nos pudesse ter debaixo de olho. O caminho inclina-se e devido à falta de uso do mesmo desejávamos que a vegetação que o vai escondendo nos escondesse também a nós pois era tal a gritaria que ecoava por todo o vale. No final da subida deste troço, junto ao encontro com o estradão florestal, uma cerca e uma placa onde estava escrito “privado”. Estava assim justificada toda a situação.

Este estradão é a fase inicial do percurso homologado, com início no centro da vila de Loriga, que se dirige para a Torre pela Garganta de Loriga. Aconselhamos assim o início do percurso no centro da vila, junto à estrada principal, evitando a passagem por suposta propriedade privada (ver percurso idealizado por Vales Errantes).

 

Agora sem sobressaltos, apenas com o som da natureza só perturbada pelo roçar das botas e dos bastões na areia granítica do estradão, que vai passando a trilho de pé posto, lá seguimos encosta acima.

As vistas vão alargando à medida que o caminho sobe a encosta e o vale vai ficando mais estreito. À medida que nos aproxima-mos da garganta surge a ansiedade de saber por onde se faz a passagem para o Covão da Areia tal é a imponência das fragas graníticas. Do outro lado do vale, bem no alto da encosta a Penha dos Abutres, lugar de passagem no regresso da jornada.

 

Rapidamente e sem dificuldade chegamos ao Covão da Areia e deixamo-nos dominar pela sua beleza e pelas imponentes fragas que o ladeiam.

 

Apenas uma ligeira subida nos separa do Covão da Nave, este mais comprido e que no seu topo domina o paredão da albufeira do Covão do Meio. A transposição do paredão faz-se pela escadaria aí existente e contornando a albufeira pela margem direita chegamos a um estradão que nos guiará até ao Covão do Boeiro. No lugar de Salgadeira abandonamos o estradão e seguimos em direcção a sul, sobre grandes lajes graníticas, guiados por mariolas que nos conduziram até à lagoa do Covão das Quelhas.

 

Aqui mudamos novamente de direcção, desta vez para nascente, seguindo outro estradão que nos levará rapidamente até à estância de ski da serra da Estrela. Chegados à estância, se as tele-cadeiras estiverem em funcionamento pode subir por elas até à torre ou então seguir a direcção das pistas para vencer o último desnível ascendente que o separa do ponto mais elevado de Portugal continental.

 

O grande marco geodésico aí existente não engana e assinala os 1994m de altitude. Aqui pode fazer uma pausa para apreciar as vistas que alcançam a maior parte do norte e centro de Portugal continental, fazer uma visita ao centro comercial com lojas de produtos da região ou então recuperar forças no café e restaurante aí existentes.

 

A segunda parte da jornada consiste na descida para Loriga, pela cumeada, com passagem pela Penha dos Abutres.

 

Seguindo em direcção a Poente, o caminho até à Penha dos Abutres faz-se pela cumeada sem qualquer tipo de trilho definido, não perdendo de vista um par de grandes mariolas, em que a progressão não é dificultada, fruto da vegetação rasteira devido à altitude e do pouco desnível.

 

Chegados ao marco geodésico da Penha dos Abutres com 1822m de altitude, uns poucos de metros à frente e abaixo deste encontra-se uma plataforma granítica, como que suspensa sobre o vazio, que permite obter um olhar sublime que supera todos aqueles que foram registados aqui neste blog até então.

 

Sobre Loriga, são quase 1000m de “nada”, a vista é soberba e permite alcançar a serra do Açor à esquerda, todo o planalto do distrito de Viseu com a serra do Caramulo no horizonte e à direita o vale da Garganta de Loriga e o trilho percorrido na subida para a Torre. Impressiona sobretudo a noção de altitude que se sente no local… merece uma pausa para contemplação.

 

Resta agora fazer toda a descida até Loriga. À primeira vista e atendendo ao enorme desnível não parece tarefa fácil, mas saindo da Penha dos Abutres pelo lado sul é possível iniciar a descida pela zona com menor declive com relativa segurança e facilidade. Algumas mariolas ajudam na tomada de decisão do melhor caminho a seguir e quando parecia que as dificuldades já tinham terminado eis que o mato toma conta da encosta entre os 1400m e 1300m e não há mariola que nos valha. Esta zona apresenta muito mato e devido à sua altura e densidade tanto a progressão como a percepção da direcção a seguir ficam consideravelmente postos em causa, fixe as ruínas de uma construção mais abaixo pois é para aí que deve seguir. Passada esta zona mais complicada encontramos um estradão, que já se encontra bastante tomado pelo mato, mas que nos conduz com relativa facilidade até à casa dos Ingleses.

 

Junto à ruína desta casa tentamos seguir pelo estradão da direita, pois no GoogleMaps está definido um caminho, mas uns metros mais abaixo o mesmo desaparece pelo meio da vegetação. Não arriscamos, resolvendo voltar à ruína e seguir pela direita até à estrada de alcatrão. Daqui até à praia fluvial é um tirinho.

 

Se iniciou o percurso no centro da vila, ao chegar à estrada vindo da ruína pode seguir uma calçada romana junto à casa florestal que aí se encontra evitando percorrer pela estrada este último troço do percurso.

 

Conclusão

Percurso que fica marcado pela beleza da travessia dos Covões da Areia e da Nave e que tem a cereja no topo do bolo com as vistas desde a Penha dos Abutres.

A Penha dos Abutres dista apenas uma hora a pé desde a Torre, atreva-se a percorrer esta zona de planalto com apenas 4km e 200m de desnível e surpreenda-se com a imponência deste miradouro natural.

 

Olhares Positivos

- riqueza paisagística;

- companhia de Vales Errantes.

 

Olhares Negativos (menos positivos)

- nada de registo, tirando o facto de saber se existe legitimidade ou não para a vedação do trecho de trilho logo à saída da praia fluvial já que o mesmo se encontra marcado nas cartas topográficas.

 

Observações

- se a primeira parte do percurso, entre Loriga e a Torre, pode ser realizado em qualquer sentido sem grandes dificuldades, entre a Penha dos Abutres e Loriga aconselha-se a sua realização no sentido descendente;

- pontos de apoio apenas em Loriga e na Torre;

- poderá existir acesso a água nas linhas de água entre Loriga e a Torre, o mesmo não acontece na descida pela Penha dos Abutres;

- troço entre a Penha dos Abutres e Loriga muito exposta ao sol sem qualquer sombra;

- não aconselhável a realização do percurso em condições climatéricas adversas de temperaturas extremas, chuva, neve ou nevoeiro.

 



publicado por olharessublimes às 23:59
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