Partida e Chegada - Covelo de Paivô
Extensão - 17,7 Km
Duração - 7h (com paragens)
Dificuldade – Moderada
Carta Topográfica - 155 e 156
Ficheiro GPX - olhar aqui
Para plataformas móveis olhar fotos aqui.
Descrição
Na “Senda do Paivô” (PR13 – ver folheto) a caminho da “Aldeia Mágica” (PR14 – ver folheto), eis o objectivo. São dois percursos de pequena rota, homologados e marcados nos dois sentidos.
Optou-se por iniciar o percurso em Covelo de Paivô e daqui partir em direcção a Drave com passagem por Regoufe a meio do caminho.
Atravessando a aldeia de Covelo de Paivô em direcção à sua capela, passando pelas suas traseiras entra num caminho agrícola que contorna os campos e o levará a entrar num caminho tradicional lajeado.
Este caminho levá-lo-á direitinho até à aldeia de Regoufe. Durante o caminho poderá contemplar o rio Paivô que corre no fundo do vale e os sulcos dos rodados dos carros de bois gravado nas pedras do caminho, fruto de longos anos em que este era o único caminho que ligava as aldeias de Covelo de Paivô e Regoufe.
Quando o caminho entrar numa zona de sobreiros é sinal de que está próximo de Regoufe. O mesmo caminho entra na aldeia por baixo de uma ramada de vinhas.
Chegando à aldeia de Regoufe atravesse-a em direcção às minas abandonas aí existentes. Contemple o quotidiano da aldeia, as actividades agrícolas e o deambular dos animais pelas suas ruelas.
As minas de Regoufe foram exploradas pelos ingleses durante a II Guerra Mundial em busca do Volfrâmio. Ao percorrer os caminhos e entrando nos edifícios que aí jazem em ruínas imagine como seria aí um dia de trabalho com cerca de 1000 pessoas.
É ainda possível encontrar em alguns edifícios a cor original das paredes interiores e alguns mecanismos que o tempo ainda não se encarregou de os fazer desaparecer, destacam-se uma máquina de funcionamento a vapor e as lavarias do minério. Para os mais aventureiros é possível entrar em algumas das muitas galerias existentes.
De volta ao objectivo, Drave – a aldeia mágica, há que voltar a Regoufe e atravessar a ribeira com o mesmo nome por uma ponte aí existente.
Inicia-se assim uma subida íngreme com muita pedra solta mas em breve estará no ponto mais elevado do percurso, “Mato de Belide” designação constante na carta topográfica mas mato nem vê-lo, deve ter tido o mesmo fim que muita floresta no nosso país… Aproveite para avistar daqui o maciço da serra da Freita e Arada com a sua “garra” que se estende até ao vale do rio Paivô.
A partir daqui é sempre a descer até Drave, inicialmente por um estradão florestal e após avistar à sua esquerda, encaixada no fundo do vale, a aldeia mágica onde se destaca a sua capela branca, segue à esquerda por um caminho tradicional lajeado.
Seguindo agora na companhia da ribeira de Palhais a aldeia aproxima-se a cada passo revelando progressivamente a sua magia e beleza que culmina no término da subida de uma última colina, junto a um cruzeiro, em que a aldeia aparece em primeiro plano.
O olhar é simplesmente sublime e como que hipnotizados fica-se ali parado no caminho a contemplar aquele cenário que por mais palavras que se tentem encontrar para descrever o que se vê e sente o melhor é mesmo ir ao local.
Aqui percebe-se o porquê de “Aldeia Mágica”… sem palavras!
Construída na base de uma encosta de xisto, na confluência de três ribeiros, destacam-se a capela caiada de branco e o “Solar dos Martins” tudo o resto se funde com o ambiente envolvente numa harmonia total.
Atravesse a ponte de acesso à aldeia e percorra cada palmo da aldeia onde cada pedra carrega certamente a história e o esforço de quem a colocou naquele lugar dando origem a Drave.
Hoje esta aldeia desabitada mas não abandonada, sem qualquer infra-estrutura de água, saneamento, electricidade, telefone ou mesmo rede móvel, permanece isolada da civilização sendo apenas acessível a pé. Serve como Base Nacional da IV do Corpo Nacional de Escutas que tem vindo a encetar esforços na reconstrução de algumas casas da aldeia e na dinamização da aldeia com as suas actividades ao longo de todo o ano através dos seus elementos. Um bem-haja ao CNE por este projecto muito bem conseguido.
Pode-se perder no tempo pela aldeia, nos campos de cultivo, na sombra das árvores ou refrescar-se nas águas dos ribeiros o caminho de regresso é o mesmo. Será que quer regressar?
Olhares Positivos
- vista sobre o maciço das serras da Freita e Arada;
- vista sobre a aldeia de Drave;
- riqueza paisagística;
- riqueza geológica.
Olhares Negativos (menos positivos)
- talvez os geradores eólicos mas é discutível, existem situações em outros locais bem mais negativas para a paisagem;
- era também objectivo desta caminhada a subida ao Portal do Inferno a partir de Drave que por impedimento climatérico e de limitação de tempo ficam para uma próxima certamente.
Observações
- poderá obter mais informações sobre o complexo mineiro da Poça da Cadela (Regoufe) (geossítio 22) e a “Garra” (geossítio 23) aqui;
- como exemplo da riqueza geológica, se não reparou, o percurso entre Covelo de Paivô e Regoufe é todo feito sobre pedra granítica e entre Regoufe e Drave sobre xisto;
- poderá ver um outro olhar sobre este percurso em Vales Errantes.
mosteiro nossa senhora assunção