Partida e Chegada – Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção
Extensão – 24,3 Km
Duração – 8h 00min
Dificuldade – Moderada
Carta Topográfica – 98
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Descrição
Há muito existia a curiosidade de percorrer uma das zonas do norte de Portugal com vestígios de povoamento com mais de 2000 anos. Juntando a vontade à companhia de Vales Errantes fomos à descoberta das elevações ali para os lados de Santo Tirso e Paços de Ferreira.
Aproveitando troços de PR’s de Santo Tirso (PR1 e PR3) tínhamos como objectivo ligar os pontos mais singulares desta zona, nomeadamente o Castro do Monte Padrão, Quedas de Água de Fervença, Citânia de Sanfins e a Nascente do Rio Leça.
A manhã apresentava-se encoberta por um nevoeiro denso o que agoirava um mau dia para desfrutar das belas panorâmicas possíveis de contemplar do alto das elevações.
Com início no Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção seguimos o PR1 ST até ao Castro do Monte Padrão. Inicialmente por estrada e depois por caminhos entre matos, rapidamente se atinge o que resta do povoado Castrejo que aqui se instalou no final da idade do bronze. O local encontra-se bem conservado e o montado aí existente confere ao lugar um certo misticismo.
Daqui seguimos por trilho até ao lugar de Valinhas onde existem os restos de azenhas e moinhos dispostos de forma peculiar, uns atrás dos outros. Passando pela Capela da Senhora das Valinhas rapidamente se chega às Quedas de Fervença.
Aqui o Rio Leça precipita-se ao longo de várias quedas de água criando um espectáculo natural de enorme beleza por entre um bosque de carvalhos também ele digno de contemplação.
Nos planos iniciais do trilho a percorrer previa-mos a continuação do percurso pela margem esquerda do rio, para isso havia que encontrar uma passagem para a outra margem. Devido ao caudal elevado de água não foi possível arriscar essa passagem de forma segura. Como alternativa bastou seguir o curso do rio até encontrar a estrada de alcatrão no lugar de Frião e aí efectuar a passagem pela ponte existente. Para retomar o percurso idealizado é seguir até ao lugar de Adufe por uma estrada em empedrado.
Embrenhando-nos por uma floresta de eucaliptos, pinheiros e sobreiros, a subida longa em trilho florestal, guiar-nos-á até ao alto do Pilar, promontório granítico, e daí até à Senhora do Pilar onde está instalado o radar nº 2 da Força Aérea Portuguesa. Infelizmente neste troço é visível as marcas deixadas por um recente incêndio florestal. Também neste troço são visíveis várias marcas fruto da utilização da encosta por amantes do BTT, pelo que se alerta para a devida atenção.
Saindo da Senhora do Pliar é apontar azimute à Citânia de Sanfins e ora por estradão florestal ora por estrada alcatroada, passando pelo Monte de Redundo e Devesa do Abade, este troço revelou-se o menos interessante. Para compensar, o nevoeiro foi-se dissipando e os raios solares anteviam melhores olhares.
A abordagem à Citânia foi feita pela encosta sul e logo no seu sopé foi possível observar as ruínas do Balneário Castrejo. Local onde o povo que aqui se instalou à mais de 2000 anos tinha acesso a banhos de água fria e quente. Subindo por aquilo que parece ter sido uma calçada, atravessamos a linha de muralha e entramos no povoado. Aos primeiros passos, está presente o caos provocado pela disposição do que resta das habitações em pedra e à medida que percorremos o povoado, esse caos dá lugar a ruas perfeitamente delimitadas que nos mostram um povoado perfeitamente organizado onde terão vivido cerca de 3000 pessoas.
É possível visitar e entrar num núcleo familiar reconstruído, infelizmente danificado por um incêndio florestal, e indo ao encontro do marco geodésico aí existente contemplar a grandeza do povoado e perceber o porquê da sua instalação neste local.
As vistas são soberbas, sublimes, o que confere ao local um excelente ponto estratégico na região entre Douro e Minho.
À saída do local não deixe de visitar o Centro de Interpretação da Citânia de Sanfins, localizado no lado norte, uns metros abaixo, para completar a informação acerca deste lugar.
Próximo objectivo – Nascente do Rio Leça, para isso seguimos em direcção Sudoeste, subimos e descemos o Monte do Lavradio e rapidamente atingimos a nascente na berma de uma estrada. Curioso verificar que a água brota literalmente das entranhas da terra.
Daqui até ao final basta seguir as marcações do PR3 ST que passando pelas povoações de Redundo e Cabanas, por caminhos rurais e florestais, nos conduzirão até ao Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção. Agora sem nevoeiro foi possível contemplar o edifício e a panorâmica sobre a cidade de Santo Tirso e alguns dos locais percorridos.
Conclusão
Poderá pensar-se que a zona ao estar inserida próximo de zonas urbanas pode deixar um pouco a desejar aos amantes da natureza. No final, esta suposição revelou-se completamente errada. Atreva-se e deixe-se surpreender por locais de enorme beleza natural, paisagística e carregados de história.
Olhares Positivos
- riqueza paisagística e arqueológica;
- companhia de Vales Errantes.
Olhares Negativos (menos positivos)
- marcas de incêndios florestais;
- lixo depositado nas bermas dos caminhos, mais propriamente no troço Senhora do Pilar - Devesa do Abade.
Observações
- indispensável o uso de aparelhos GPS.
mosteiro nossa senhora assunção